16 de out. de 2014

O Comuna apóia a luta dos educadores!

No comecinho da noite dessa última quarta-feira, dia 15/10, a bateria do CQP! uniu-se ao coro dos profissionais da Educação do Rio de Janeiro. Reunidos em frente à Câmara Municipal pelo Dia Nacional de Luta em Defesa da Educação Pública, estivemos ombro a ombro com aqueles que são como a gente: de festa, mas sobretudo de luta!

Após as falas de ativistas de movimentos sociais, entidades sindicais e representantes de partidos políticos, intercaladas com poesias e depoimentos, nossa bateria embalou os presentes ao som do nosso samba deste ano: O COMUNA CANTA AO BRASIL: A REVOLUÇÃO FOI A COPA QUE PARIU!

Mestre Buchecha comandou mais um embalo da subversão

A empolgação ao redor da bateria mostrou que ainda ecoa na cabeça de muita gente a alegria de nosso desfile e a indignação diante dos abusos cometidos antes e durante a Copa do Mundo.

O ato foi convocado pelo FEDEP-RJ. Estiveram presentes: ANDES seção RJ, ADUFRJ, Asduerj, SEPE, FEDEP, UJC, UC, além de diversos outros movimentos da área da Educação.

Conforme se pode ler na página do evento no Facebook, o ato foi parte das deliberações do Encontro Nacional de Educação, que decidiu pela realização de atos dessa natureza no mês de outubro em todo Brasil. Como lembram também os organizadores do evento, o dia 15/10 marca, no Rio de Janeiro, a mobilização de mais de 100 mil educadores e lutadores, enfrentada pelas autoridades com forte repressão e com a continuidade do processo de desmonte da Educação pública.

O CQP! aproveita a oportunidade para dizer que sempre se somará à luta dos profissionais da Educação contra a criminalização dos movimentos sociais, pelo direito efetivo à greve, pela autonomia pedagógica, pela valorização do educador e por verbas públicas para uma Educação pública, gratuita, laica, de qualidade e que sirva aos interesses populares.

Agradecemos imensamente o convite e parabenizamos os organizadores e presentes pelo ato. E seguimos em frente, batucando junto à classe trabalhadora na grande avenida que vai dar na sua emancipação!

9 de set. de 2014

Manifesto por uma Frente Artística Anti-Capitalista

Todo ser humano tem potencial para produzir arte, todos somos potenciais artistas. Se uma criança recebe areia, ela esculpe um castelo. Se recebe tinta, ela pinta um dinossauro. Se estimulada com música, ela inventa sua própria dança. Mas adultos, a maioria de nós ou não produz mais arte ou não a produz como gostaria de fazer. Por que isso acontece?

Basta pensarmos no nosso dia a dia pra darmos de cara com dois motivos. De um lado, alguém que trabalha oito ou mais horas por dia, gastando umas boas horinhas a mais pra ir e voltar de seu local de trabalho, infelizmente não tem muito tempo para dedicar a outras atividades, ainda que goste muito delas. Nessa situação, apreciar e conhecer ou mesmo criar arte aparece como algo “supérfluo”, não passando de um “hobby” pra ser exercitado entre uma jornada e outra, e, se der, em algum espacinho de tempo no fim de semana... Além disso, um monte de gente simplesmente não frequenta teatros, shows, exposições ou certos pagodes e estádios porque se tornam pesados demais no orçamento (na sociedade em que vivemos tudo, até as tradições mais populares, vai virando mercadoria).

O outro motivo está ligado ao que chamamos de indústria cultural. E aí tratamos da situação dos trabalhadores da cultura (como os “artistas” ou os “produtores culturais”). Todo o fruto de sua criatividade acaba servindo pra alimentar esta indústria; e nisso há uma perda de sentido sobre o que fazem, pois cada vez mais se tornam meros executores levados a produzir algo que não é determinado por sua própria vontade, mas que se encaixe em um padrão vendável. Uma canção precisa ser “hit”, para vender; um quadro precisa ter o estilo que abra as portas pra galerias importantes, para vender; uma peça de teatro deve repetir os "lugares comuns" e efeitos fáceis, para vender. A cultura é reduzida a um negócio, cumprindo a função social de fornecimento de “matéria-prima criativa” para certas indústrias nas quais os bens produzidos têm valor ou não de acordo com as tais “leis do mercado”. Até mesmo o sucesso de uma obra artística tende a ser medido pelo lucro que ela proporcionou! Isso está presente tanto nas listas que tratam por melhores filme do ano aqueles com maior bilheteria, quanto na indústria do jabá radiofônico, na qual as músicas primeiro são pagas para serem as mais tocadas nas rádios e depois se tornam "magicamente" presentes no assovio de qualquer ouvinte. Quantas vezes já não vimos repetidas essas velhas práticas?

Tudo isso se dá porque vivemos em uma sociedade em que nós trabalhadores não controlamos os meios necessários para garantir as nossas próprias vidas. Nas sociedades capitalistas, cada indivíduo depende de comprar no “mercado” todas as suas necessidades: sua comida, suas roupas, sua moradia, seu deslocamento, só podendo satisfazê-las se puder pagar. A quantidade de fome que você tem simplesmente não é levada em conta pelo dono do supermercado, assim como a enorme "fome cultural” que você tem não comove nem um pouco o proprietário da casa de shows – ou mesmo que o comova, isso não o levará a distribuir bilhetes! Isso gera certas situações que seriam inaceitáveis se não estivéssemos tão acostumados com elas, e os exemplos são incontáveis – basta refletir meio segundo na porta de um supermercado qualquer, e verificar, na calçada, à porta de sua entrada, quantas vezes não estavam ali pessoas em situação de rua pedindo ajuda.

No mercado de arte, vão se formando campos autorizados a dizer o que é e o que não é bom ou válido. A arte, para ser reconhecida como arte, precisa do consentimento dos produtores, dos curadores, dos comissários de exposição, dos conservadores de arte, das gravadoras, das estações de rádio, dos grandes chefs de cozinha, das editoras etc. Neste contexto, a arte dos pobres, dos negros e dos indígenas é diminuída pelos que detêm “o poder da palavra” ao status inferior de “artesanato”. Essa oposição entre artesanato e arte expressa todo o desprezo dos mandarins da cultura mercantilizada pelo trabalho manual e pela cultura popular. A arte parece estar ao acesso de todos, mas o que está ao alcance é somente o seu consumo para quem puder pagar! E quanto à criação, essa fica só pros artistas “eleitos” pelo mercado em um de seus diversos nichos (inclusive o mercado acadêmico, considerando que a universidade se torna cada vez mais mercantilizada), deixando à margem inúmeros músicos, compositores, arranjadores, poetas, pintores, atores, diretores, num autêntico desperdício de capacidades criativas-sociais que este modelo simplesmente é incapaz de aproveitar.

É no contexto da competição entre os próprios artistas, uns contra os outros, por um lugar no rol daqueles “eleitos”, que surge a imagem falsa do “gênio”. Este seria o ser “melhor do que os outros”, que tem “mais talento” individual e por isso “merece aparecer”, sendo celebrado do mesmo modo na dança, na música, na culinária ou no futebol. Ok, entendido, mas... o que seria de um bom ator se ele atuasse sempre sozinho?! Não é questão de negar as aptidões individuais. Sim, elas existem, mas são muito mal aproveitadas numa sociedade em que todos os criadores (o que é exatamente o mesmo que dizer todos os trabalhadores, quer manuais quer intelectuais) são postos em eterna competição uns contra os outros por um lugar no mercado. Nesta sociedade, o egocentrismo radical vai ocupando o lugar da camaradagem, a pretensa autoria individual ocupa o lugar da criação coletiva, e com isso a imensa maioria da população, inclusive dos artistas, perde – enquanto alguns poucos grandes “produtores”, na verdade proprietários ou acionistas de grandes empresas culturais, extraem seus lucros milionários e mantêm o tal do mercado de arte azeitado e operando.

As jornadas de junho de 2013 trouxeram à tona certa insatisfação social, com milhares de pessoas indo às ruas reivindicar o atendimento de suas necessidades. Este novo contexto não deixou de influenciar o mundo da cultura e da arte. O carnaval de 2014 foi marcado por blocos, marchinhas e sambas politizados e de protesto, as manifestações se tornaram tema de diversos filmes documentários, peças de teatro ou poesias e as fotografias dos manifestantes e da repressão policial rodaram o mundo. Essa tomada de consciência pode ser um bom começo de um questionamento geral, mas, para impedir que essa saudável energia questionadora se disperse, vimos a necessidade de começar pra já a construir uma alternativa. Uma alternativa ao poder político que nos apresenta um jogo de cartas marcadas e nos manda sair das ruas (com a “ajuda” da polícia) e votar em algum dos candidatos dos grandes partidos que representam sempre os mesmos interesses. Uma alternativa aos governos que nos pedem para aguardar passivamente que eles apresentem a “solução” para nossos problemas. Uma alternativa, enfim, a toda uma forma de organização social capitalista que exige que os trabalhadores empreguem o melhor de suas energias vitais na produção de mercadorias para depois descansar consumindo passivamente sem protestar. Isso quando lhes é dado descansar...

Uma primeira alternativa seria lutar por uma mudança da política cultural do Estado que rompesse com os seus atuais marcos mercadológicos, cujos principais exemplos são a Lei Rouanet (dinheiro público de renúncia fiscal que é gerenciado por empresas privadas) e o estímulo ao empreendedorismo dos trabalhadores da arte (estimulando-os a fazer projetos para captar recursos no mercado), e investisse em um amplo aparato público e gratuito de formação, produção e distribuição de arte. Mas pensamos que é necessário ir além e criar organizações culturais e artísticas próprias dos trabalhadores. Já existem diversas e o Bloco Comuna Que Pariu! é um bom exemplo de um grupo que produz uma arte anticapitalista por fora da indústria cultural. Mas o trabalho de grupos isolados, por melhor que seja, tende a não ter muita repercussão em uma sociedade na qual a circulação de informações e da arte é dominada pelos grandes monopólios empresariais.

Por isso, propomos a formação de uma frente anticapitalista que afirme que a arte não deve ser mercadoria, mas expressar necessidades coletivas e apontar para a necessidade de criação de relações sociais que garantam a vida. Como primeiro passo nesta direção estamos formando um Comitê de Cultura pelo Poder Popular para discutir e produzir arte e cultura por fora da lógica da mercadoria, buscando construir uma alternativa cultural própria dos trabalhadores que seja capaz de enfrentar a indústria cultural e caminhar no sentido da socialização da produção cultural e artística. Venha organizar conosco este Comitê!

Proposta inicial de eixos programáticos para a atuação do Comitê:

1º Participar das lutas gerais da classe trabalhadora, inclusive colocando nossa arte ao seu serviço;

2º Garantir e avançar os direitos dos trabalhadores da arte e da cultura;

3º Desmercantilizar a produção e o acesso à arte e a cultura;

4º Construir uma alternativa cultural dos trabalhadores que seja capaz de enfrentar a indústria cultural (o poder popular na cultura);

5º Articular uma frente artística anticapitalista que aponte para a necessidade de criação de relações sociais que garantam a vida;

6º Apoiar e aprender com outras experiências culturais e artísticas da classe trabalhadora, nacionais e internacionais;

7º Venha sugerir e debater conosco!

14 de ago. de 2014

A “questão cultural” e a Palestina

(por Victor Neves)
(aos amigos Alexandre Magno, Elídio Marques, Isabel Mansur e Márcio Longo)

A palavra “cultura” evoca o conjunto dos conhecimentos sobre o mundo, assim como o acervo das objetivações produzidas no sentido de intervir sobre ele. Sendo criação puramente humana a partir de sua interação social e do metabolismo entre humanidade e meio ambiente, se opõe a “natureza” na medida em que esta, em suas leis últimas, é exterior ao homem. Ou seja: diferentemente da natureza, sobre a qual o homem intervém sem que seja capaz de criar nem de alterar suas leis fundamentais, a cultura é criação exclusivamente humana. 

Por isso mesmo é curioso ver o uso que se faz desta palavra ao se tocar em pontos políticos embaraçosos, sobre os quais em geral o senso comum tende a ser evasivo e não querer “se comprometer”. É exatamente este o caso da Palestina. Ou melhor: da política colonial do Estado de Israel em relação à nação palestina. 

Quem nunca ouviu, durante uma conversa em que aparece o assunto “Palestina-Israel”, o comentário de que aquele seria um tema muito “delicado” devido à presença de tradições religiosas milenares em confronto? A continuação do argumento – que em última é utilizado por quem não quer se posicionar sobre o problema, ou por quem se envergonha de sua posição pró-Israel – é clássica: tratar-se-ia de uma questão “cultural”, dessa “rivalidade milenar entre judeus e árabes”, coisa difícil de resolver e de explicar sem um profundo conhecimento de suas religiões, de suas culturas... Vamos desmontar este mito.

Apresentado assim, o raciocínio opera uma inversão curiosa. Como lembrei na abertura deste texto, “cultura” se opõe a “natureza” justamente na medida em que é o ser humano que cria aquela primeira no processo mesmo de seu desenvolvimento social. Pois bem: a apresentação da suposta “rivalidade milenar” como base para os massacres reincidentemente perpetrados por Israel desde 1948 na região (observe-se que o fenômeno tem pouco mais de 60 anos, nada tendo de “milenar”) é, na verdade, uma tentativa disfarçada de naturalizar sua política colonial, de justificá-la como algo que sempre foi assim (afinal, estaríamos diante de um problema milenar, afirmam os “entendidos”...) e que, portanto, sempre será, restando a nós lamentar. Como pega mal se referir a massacres coloniais como algo natural, se afirma que seriam algo cultural, invertendo o sentido da palavra “cultura”, que passa a fazer referência a leis imutáveis, rígidas (com o perdão da palavra: “talmúdicas”), que não seria possível modificar – em suma, “cultura” passa a significar “natureza”! E não é qualquer natureza: nesta bizarra utilização do termo, “cultura” passa a fazer referência a algo que seria uma pretensa “natureza humana”, em que o homem seria o lobo do homem, um bicho egoísta, incapaz de conviver com o diferente e disposto a tudo para se defender dele.
 
A verdade é que a questão Israel-Palestina, e principalmente estas operações que o Estado sionista israelense vem executando na região de Gaza desde 2006, nada têm de “questão cultural” – a não ser por suas óbvias consequências político-culturais, tornando a população da Faixa de Gaza mais desesperada e radicalizando-a, e pelos componentes culturais que sempre acompanham questões coloniais. Vejamos brevemente em argumentos e números* porque esta questão é pura e simplesmente uma questão colonial – e como tal deve ser combatida sem trégua. 

Gaza é uma das duas regiões que compõem os territórios palestinos, ocupadas a partir de 1967 pelo Exército de Israel – a outra é a Cisjordânia. Com seus 1,8 milhão de habitantes distribuídos por 362 km quadrados, é uma região muito densamente povoada, com cerca de 4.500 hab./km quad. Sua principal cidade, a Cidade de Gaza, conta com uma das maiores densidades demográficas do mundo – o que, aliás, significa que qualquer ataque aéreo a esta cidade fará necessariamente muitas vítimas civis, fato que Israel negligencia imperialmente. 
 
Israel, após se retirar militarmente da faixa de Gaza em 2005, impôs sobre ela um pesadíssimo embargo ou bloqueio econômico a partir de 2006. Este bloqueio é de tal ordem que Gaza se converteu em uma espécie de “grande prisão a céu aberto”, por sinal murada (!), com apenas dois acessos por terra em uso (Erez e Kerem Shalom): um por onde podem entrar e sair pessoas e outro por onde podem entrar e sair mercadorias. Os acessos por mar e por ar são bloqueados, controlados draconianamente pelas forças armadas israelenses, e o aeroporto da região foi destruído. Nesta situação, todo e qualquer produto que entre e saia de Gaza deve passar por... Israel! Qualquer semelhança com aqueles nossos velhos conhecidos latino-americanos, os “pactos coloniais”, infelizmente não é mera coincidência. Israel procedeu assim: retirou os colonos, mas manteve na prática o estatuto colonial da região.

O resultado: a taxa de desemprego em Gaza é de cerca de 40%; cerca de 70% da população depende de alguma ajuda “humanitária” como, por exemplo, da doação de alimentos, para sobreviver; Gaza só dispõe de fornecimento de energia elétrica de 8 a 12 horas por dia (!), o que afeta diretamente a hospitais, escolas e demais instituições públicas, para não falar da população civil em seu dia-a-dia; a zona permitida por Israel para a pesca é de apenas 3 milhas náuticas Mediterrâneo adentro, quando segundo as Nações Unidas as zonas mais piscosas estão 8 milhas náuticas afastadas da costa – sendo a pesca uma das principais atividades econômicas em Gaza...

Não à toa, dentre as principais reivindicações do Hamas estão: possibilidade de construção de um aeroporto; possibilidade de construção de um porto; extensão da zona de pesca. Todas as três relativas ao embargo! E o principal argumento do Hamas para não aceitar um cessar-fogo permanente é... que Israel não aceita suspender o embargo!
 
A razão é clara: suspender o embargo seria abrir mão da condição colonial da Gaza. Como sabemos muito bem acompanhando exemplos de embargos pelo mundo – dos quais talvez o mais conhecido no Brasil seja aquele imposto pelos EUA à Cuba socialista –, os embargos costumam causar muito mais danos e mortes do que qualquer ação militar. No caso palestino, de Gaza em particular, a combinação entre embargo e ações militares periódicas (já são quatro grandes operações  militares desde 2006) gera o seguinte quadro: 500.000 pessoas deslocadas de suas casas (1/3 da população...), 240.000 residindo em abrigos da ONU; milhares de moradias destruídas; grande parte da capacidade industrial do país neutralizada; quase metade das terras agrícolas do país arrasada; milhares de palestinos mortos, civis em sua grande maioria, dos quais 1.939 somente nesta última ofensiva militar - contra 67 mortos israelenses, dos quais apenas 3 civis. 
  
Neste contexto, em que a manutenção da política colonial só pode ser feita mediante o extermínio sistemático da população que resiste, não soam nada exageradas as palavras de Eduardo Galeano, com as quais encerramos este texto**: “Desde 1948, os palestinos vivem condenados à humilhação perpétua. Não podem nem respirar sem permissão. Perderam sua pátria, suas terras, sua água, sua liberdade, seu tudo. Nem sequer têm direito a escolher seus governantes. Quando votam em quem não devem votar, são castigados. Gaza está sendo castigada. (...) E o desespero, a espera pela loucura suicida, é a mãe das bravatas que negam o direito à existência de Israel, gritos sem nenhuma eficácia, enquanto a muito eficaz guerra de extermínio está negando, há anos, o direito à existência da Palestina. Já resta pouco da Palestina. Pouco a pouco, Israel a está apagando do mapa. Os colonos invadem e depois deles os soldados vão restabelecendo a fronteira. As balas sacralizam a remoção, como legítima defesa. Não existe guerra agressiva que não diga ser guerra defensiva”.

Paris, 14 de agosto de 2014.

* As fontes de onde foram extraídos os números neste texto foram as versões eletrônicas dos seguintes jornais: Le Monde; Libération; Le Point; The Washington Post; The Wall Street Journal.
** O texto de Eduardo Galeano (“Si yo fuera palestino”) foi publicado pelo órgão salvadorenho ContraPunto, estando disponível na internet.